domingo, 20 de dezembro de 2015

Câncer de Testículo e Exercício Físico






Os testículos são gônadas sexuais masculinas responsáveis pela produção de testosterona (hormônio sexual masculino), espermatozóides (gâmetas masculinos) e sinteze de hormônios. Está localizado na bolsa escrotal, que também serve de proteção para os mesmos. Geralmente os indivíduos do sexo masculino possuem dois testículos, apresentando em seu envolto uma grossa camada de tecido conjuntivo denso, chamada túnica albugínea. A seguir uma imagem sobre a anatomia do testículo:




No entanto, o câncer de testículo representa 1% dos tumores que afetam o homem, porém sua incidência tem aumentado nos últimos anos. Ocorre normalmente em homens brancos com idade entre 20 e 45 anos. Fase onde ocorre maior atividade sexual e reprodutiva.

A maioria dos casos de câncer de testículo são detectados em estágio inicial, porém outros tipos podem não demonstrar sintomas até que estejam em um estágio avançado. A principal característica é o aparecimento de um nódulo duro, e indolor na região do testículo. As neoplasias testiculares podem pertencer a dois grandes grupos: tumor germinativo seminomatoso, de crescimento e comportamento mais lento e o tumor germinativo não seminomatoso, mais agressivo e de tratamento complexo, em sua maioria recorre ao uso de quimioterápicos. É importante comentar a existência de um terceiro grupo, mais raro, que consiste em sarcomas e pelo tumor de Sertoli e Leydig e linfomas nos testículos.

A palpação ainda é a maneira mais simples de diagnosticar a doença, levando em conta que variações anatômicas são comuns como por exemplo um testículo ligeiramente maior que o outro. O próprio indivíduo ao tocar o testículo pode identificar o nódulo, na identificação o pessoa deve procurar o médico o mais rápido possível, pois quando descoberta nos estágios iniciais mais fácil será seu tratamento e cura. Existem também outros problemas associados ao aumento do volume testicular, como as orquiepididimites, torção testicular, hérnias inguinoscrotais, hidrocele e cistos de epidídimo.

A identificação também pode ser feita por tomografia pélvica e por alguns exames de sangue. Pois muitos cânceres de testículo liberam altos níveis de proteínas denominadas de "marcadores tumorais", que são elas: alfa-fetoproteína (AFP) e gonadotropina coriónica humana (GCH). Consequentemente pode ocorrer um aumento nos níveis da enzima desidrogenase láctica (DHL). Os tumores de células de Sertoli e de Leydig não produzem essas substâncias. Quando o tumor é pequeno ele não altera os níveis dessas proteínas.

O tratamento pode ser pela drenagem do tumor no testículo, sendo que por muitos é contra-indicado devido a possibilidade de disseminação da doença por onde a agulha passar. No entanto a forma mais eficaz de tratar o câncer é a remoção do testículo. Em caso de estética do paciente põe-se uma prótese de silicone no local. O tratamento não acomete na perca da potência sexual do indivíduo, entretanto pode acontecer casos de infertilidade principalmente quando o tumor encontrasse nos dois testículos. O que pode causar impactos psicológicos já que em muitos os indivíduos não tem uma família formada, pelo fato da faixa etária da doença podendo causar recusa ao tratamento. É recomendado que o paciente retire uma amostra de espermatozóide e guarde em um banco apropriado para esse fim. Em casos que o indivíduo deseja ter filhos, é recomendado esperar pelo menos dois anos após o término do tratamento quimioterápico.

O exercício físico moderado é o mais recomendado para a prevenção e tratamento do câncer, porque reduz o risco de neoplasias. O exercício também diminui os níveis de estresse e obesidade que são responsáveis por muitos tipos de câncer. A prática de atividade física regular trabalha juntamente com o sistema imune, evitando as neoplasias por ação dos mecanismos de resposta imune inata, como a atividade das células NK, macrófagos, neutrófilos e citoquinas. Assim, como resposta aos estímulos da atividade física no sistema imune especifico fazendo com que ocorra um maior nível de vigilância do sistema de defesa do organismo em relação a formação de novos tumores.

Segue abaixo a respostas ao exercício físico:















REFERÊNCIAS:


Histologia Básica – Luiz C. Junqueira e José Carneiro. Editora Guanabara Koogan S.A. (10° Ed), 2004.

Castellotti DS, Cambiaghi AS. Preservação da fertilidade em pacientes com câncer. Rev Bras Hematol Hemoter. 2008; 30(5):406-10

Instituto Nacional de Câncer. Ministério da saúde. Estimativa/2012 Incidência de câncer no Brasil. [acesso em 09 Mar 2013]. Disponível em: http://www.inca.gov.br/estimativa/2012/index .asp?ID=2

VARELLA, DRAUZIO. ONCOLOGIA. CÂNCER DE TESTÍCULO. PUBLICADO EM 08/11/2009. Diponível em http://drauziovarella.com.br. Acesso em 1 de Dezembro de 2015.

Ortega, E. et al. A atividade física reduz o risco de câncer?. Rev Bras Med Esporte, vol. 4, no. 3, Niterói, May/June 1998.

domingo, 13 de dezembro de 2015

Exercício Físico e o Câncer de Pulmão



O sistema respiratório articula a troca gasosa entre o meio ambiente externo e o corpo. Ele oferece ao indivíduo um meio de repor oxigênio e remover os metabólicos do sangue em consequência da ventilação e da difusão. Em outras palavras esse sistema tem um papel imprescindível na homeostasia sanguínea-gasosa (tensões de oxigênio e de dióxido de carbono) desde o repouso até o momento do exercício.

Um paciente com câncer de pulmão claramente tem esse sistema prejudicado, e por consequência maior dificuldade no que se diz respeito a um trabalho saudável das funcionalidades respiratórias. Dados do Centro de Combate ao Câncer afirmam que “o câncer de pulmão é a principal causa de morte por câncer, sendo responsável no mundo por mais de 1,4 milhões de mortes por ano. Nas últimas duas décadas o tratamento melhorou significativamente, mas a taxa de sobrevida global em 5 anos ainda é bastante baixa, cerca de 17%”.

E ao contrário do que pensa, a atividade física beneficia e melhora a qualidade de vida de indivíduos com câncer de pulmão. A prática regular de exercícios provou a redução dos sintomas (dificuldade em respirar, tosse, fadiga, ansiedade, depressão, insônia e dor), aumento da tolerância ao esforço físico, diminuição das complicações pós-operatórias e do tempo de internação. Cabe ao profissional de Educação Física levar em consideração as limitações desse indivíduo, uma vez que pacientes com câncer de pulmão e os pacientes já tratados e sem evidência do tumor em atividade tem diferentes limitações à realização de exercícios físicos, para que sejam apresentados os benefícios. 

O câncer de pulmão possui alta incidência e alto custo do tratamento, desse modo medidas simples como a prática de terapias por exercício seriam relativamente fáceis e baratas para a implementação. E a apesar da pouca utilização por médicos, pesquisadores da Universidade de Medicina da Carolina do Sul, descobriram que quando ocorre à orientação, aumenta a dedicação e a prática regular dos exercícios por esse paciente.

Em uma revisão de literatura, utilizou-se estratégias de buscas primária e secundária nas bases de dados computadorizadas Medline, Web of Science e PEDRO, cuja foi realizada para identificar os efeitos do exercício físico aeróbico em pacientes com câncer de pulmão e suas possíveis repercussões sobre a capacidade funcional e a qualidade de vida. Depois de uma leitura criteriosa dos artigos na íntegra, 15 estudos preencheram os critérios de inclusão, se notou que a força aumentou nos pacientes que praticaram exercício e reduziu nos pacientes que não realizaram exercício. Uma análise inicial sugere que os programas de exercício aeróbico podem trazer ganhos significativos em diferentes fases do tratamento do câncer pulmonar.

Foi demonstrado também que embora este estudo tenha uma abordagem baseada na prática de exercícios aeróbicos, cabe enfatizar que a realização de atividade física não aeróbica, de forma isolada, também possui um impacto positivo em sintomas comumente referidos pelos pacientes oncológicos e que um programa de exercícios que inclua componentes aeróbicos e não aeróbicos pode ser bastante eficaz. E como resultado desse estudo se observou que os programas de exercício físico atuam positivamente sobre a capacidade funcional e a qualidade de vida dos indivíduos com câncer de pulmão. Reafirmando assim os benefícios da atividade física para pacientes com neoplasias pulmonares.

E é valido também relembrar que o exercício regular também previne o desenvolvimento de vários tipos de câncer, incluindo o de pulmão, como já foi relatado no presente blog.



Referências:

Powers, Scott K. Respiração durante o Exercício. Fisiologia do Exercício: Teoria e Aplicação ao Condicionamento e ao Desempenho. Manole, p. 178.

Seixas, Raquel Jeanty. Exercício Físico Aeróbico e Câncer de Pulmão: um Estudo de Revisão. Revista Brasileira de Cancerologia, 2012, p. 267-275.

Oliveira, Alba. Centro de Combate ao Câncer. Atividade física beneficia pacientes com câncer de pulmão. Disponível em www.cccancer.net/atividade-fisica-beneficia-pacientes-com-cancer-de-pulmao/. Acesso em 13 de Dezembro de 2015.

domingo, 6 de dezembro de 2015

CÂNCER E TREINAMENTO DE FORÇA

   Analisando-se os estudos sobre os benefícios do exercício físico sobre o câncer, percebe-se que a recomendação de exercícios aeróbios se sobrepõe às recomendações de exercícios de força. Porém, estudos têm demonstrado a grande importância destes últimos quando aplicados tanto durante quanto após o tratamento do câncer, devido às observações dos efeitos da doença no paciente e a melhora que o exercício resistido pode causar neles. Assim, é possível afirmar que é de extrema importância que se combine os dois tipos de exercícios, visando amplificação e maior duração dos benefícios.
   O câncer  é uma doença degenerativa, e tanto a doença em si como o seu tratamento (como quimioterapia, radioterapia e cirurgias) acarretam vários prejuízos ao sistema biológico do seu portador, dentre elas podemos citar a presença de fadiga, cansaço, dores, menor qualidade de vida em presença de medo e baixa auto-estima, debilidade física, diminuição da capacidade aeróbia, diminuição da força e da flexibilidade e perda de massa muscular, principalmente pelo aumento do catabolismo proteico causado pelo câncer, em que o corpo dos indivíduos utilizam aminoácidos para a gliconeogênese hepática por alterações dos mecanismos de regulação de quebra das proteínas. Assim, diversos estudiosos propõem que a prática de exercícios pode amenizar ou mesmo reverter esses efeitos.
   Dentre os benefícios do treinamento de força aos pacientes com câncer, temos que: ele evita a perda de massa muscular bem como a perda de força, proporcionando estímulos ao músculo e conseqüentes adaptações evitando seu atrofiamento; melhora na capacidade funcional e no equilíbrio do paciente, fatores comprometidos pela doença, bem como sua flexibilidade e coordenação motora; aumento ou preservação da capacidade aeróbia pelas adaptações cardiorrespiratórias proporcionadas pelo exercício, melhorando o consumo de oxigênio e a circulação sanguínea; diminuição da fadiga e aumento da resistência ela; melhora na composição corporal pelo aumento de massa magra e diminuição de massa gorda dependendo do tipo de tratamento a que o paciente está submetido; melhora na qualidade de vida, em que a melhora da capacidade física proporciona a sensação de controle, independência, autoestima, autoconfiança, redução da ansiedade e do medo (podendo ser causados por questões hormonais influenciadas pelo exercício), melhora do humor, melhor interação social, redução das dores e náuseas e maior vitalidade.
   O exercício também pode proporcionar  a inibição da tumorigênese (Baracos, 1989), resistência à implantação do tumor, diminuição da taxa de crescimento tumoral, redução do aparecimento de metástases (Lee, 1995) e aumento da síntese protéica muscular (Al-Majid; McCarthy, 2001b), que reduzem os riscos de retorno da doença, além de melhora do sistema imunológico, tendo efeito tanto na imunidade natural como na adquirida, em que em um experimento realizado por Kelm et al. (2000) foram observados aumentos nas células NK (natural killer) em pacientes com câncer submetidos a treinamento de força e aeróbio durante  13 semanas, com atividades duas vezes por semana.
   É importante que se saiba que estes benefícios podem variar, dependendo do tipo de câncer do paciente, do estágio da doença, do tipo de tratamento e também da intensidade, freqüência e duração do programa de exercícios. Assim, é necessária a análise cuidadosa e profissional do melhor tipo de treinamento a ser aplicado e a sua execução deve ser feita com acompanhamento médico.
   Battaglini et al. (2004) propõem que o exercício com intensidade moderada já é suficiente para proporcionar as melhoras musculares, já para De Backer et al. (2007), uma intensidade maior traz melhores benefícios ao paciente.
   O treinamento de força é mais eficaz com intensidades de moderadas a altas (6 a 12 RM ou com 60% a 70% de 1RM). Com intensidades altas, além do muscular, o tecido ósseo também é beneficiado, se adaptando ao aumento do músculo ganhando mais força e resistência, sendo importante principalmente para mulheres sobreviventes do câncer de mama na menopausa, em que a densidade óssea cai abaixo do normal. No entanto, as intensidades de exercício diferem no tratamento e pós-tratamento, devendo ser menores na primeira fase e, como citado anteriormente, respeitando sempre a individualidade de cada doença. Além disso, se o treinamento de força for combinado com exercícios aeróbios, a duração do exercício deve ser calculada considerando-se as duas modalidades, por exemplo: em um programa com duração de uma hora, serão 30 minutos para cada modalidade.
Referências:
NASCIMENTO, E.B.; LEITE, R.D.; PRESTES, J. Câncer: benefícios do treinamento de força e aeróbio. Revista da Educação Física/UEM. Maringá, v.22, n.4, p.651-658, 4.trim. 2011.
BATTAGLINI et al. Atividade física e níveis de fadiga em pacientes portadores de câncer. Rev. Bras. Med. Esporte – Vol.10, n.2 – Mar./Abr. 2004.
BRASIL. JANI CLERIA. Câncer e atividade física. 2014. Disponível em: >http://www.janicleria.com.br/oncologia/cancer-e-atividade-fisica/<. Acesso em: 05 dez. 2015.
NUNES et al. Mecanismos potenciais pelos quais o treinamento de força pode afetar a caquexia em pacientes com câncer. Revista Brasileira de Prescrição e Fisiologia do Exercício. São Paulo, v.1, n.1, p.1-17, Jan./Fev. 2007. ISSN 1981-9900.

PAULA, M.G.M; MORAIS, A.J.P; ORNELLAS, F.H. Treinamento de força e câncer de mama: uma visão sistemática. Revista Brasileira de Prescrição e Fisiologia do Exercício. São Paulo, v.6, n.32, p.164-171, Mar./Abril. 2012. ISSN 1981-9900.