domingo, 6 de dezembro de 2015

CÂNCER E TREINAMENTO DE FORÇA

   Analisando-se os estudos sobre os benefícios do exercício físico sobre o câncer, percebe-se que a recomendação de exercícios aeróbios se sobrepõe às recomendações de exercícios de força. Porém, estudos têm demonstrado a grande importância destes últimos quando aplicados tanto durante quanto após o tratamento do câncer, devido às observações dos efeitos da doença no paciente e a melhora que o exercício resistido pode causar neles. Assim, é possível afirmar que é de extrema importância que se combine os dois tipos de exercícios, visando amplificação e maior duração dos benefícios.
   O câncer  é uma doença degenerativa, e tanto a doença em si como o seu tratamento (como quimioterapia, radioterapia e cirurgias) acarretam vários prejuízos ao sistema biológico do seu portador, dentre elas podemos citar a presença de fadiga, cansaço, dores, menor qualidade de vida em presença de medo e baixa auto-estima, debilidade física, diminuição da capacidade aeróbia, diminuição da força e da flexibilidade e perda de massa muscular, principalmente pelo aumento do catabolismo proteico causado pelo câncer, em que o corpo dos indivíduos utilizam aminoácidos para a gliconeogênese hepática por alterações dos mecanismos de regulação de quebra das proteínas. Assim, diversos estudiosos propõem que a prática de exercícios pode amenizar ou mesmo reverter esses efeitos.
   Dentre os benefícios do treinamento de força aos pacientes com câncer, temos que: ele evita a perda de massa muscular bem como a perda de força, proporcionando estímulos ao músculo e conseqüentes adaptações evitando seu atrofiamento; melhora na capacidade funcional e no equilíbrio do paciente, fatores comprometidos pela doença, bem como sua flexibilidade e coordenação motora; aumento ou preservação da capacidade aeróbia pelas adaptações cardiorrespiratórias proporcionadas pelo exercício, melhorando o consumo de oxigênio e a circulação sanguínea; diminuição da fadiga e aumento da resistência ela; melhora na composição corporal pelo aumento de massa magra e diminuição de massa gorda dependendo do tipo de tratamento a que o paciente está submetido; melhora na qualidade de vida, em que a melhora da capacidade física proporciona a sensação de controle, independência, autoestima, autoconfiança, redução da ansiedade e do medo (podendo ser causados por questões hormonais influenciadas pelo exercício), melhora do humor, melhor interação social, redução das dores e náuseas e maior vitalidade.
   O exercício também pode proporcionar  a inibição da tumorigênese (Baracos, 1989), resistência à implantação do tumor, diminuição da taxa de crescimento tumoral, redução do aparecimento de metástases (Lee, 1995) e aumento da síntese protéica muscular (Al-Majid; McCarthy, 2001b), que reduzem os riscos de retorno da doença, além de melhora do sistema imunológico, tendo efeito tanto na imunidade natural como na adquirida, em que em um experimento realizado por Kelm et al. (2000) foram observados aumentos nas células NK (natural killer) em pacientes com câncer submetidos a treinamento de força e aeróbio durante  13 semanas, com atividades duas vezes por semana.
   É importante que se saiba que estes benefícios podem variar, dependendo do tipo de câncer do paciente, do estágio da doença, do tipo de tratamento e também da intensidade, freqüência e duração do programa de exercícios. Assim, é necessária a análise cuidadosa e profissional do melhor tipo de treinamento a ser aplicado e a sua execução deve ser feita com acompanhamento médico.
   Battaglini et al. (2004) propõem que o exercício com intensidade moderada já é suficiente para proporcionar as melhoras musculares, já para De Backer et al. (2007), uma intensidade maior traz melhores benefícios ao paciente.
   O treinamento de força é mais eficaz com intensidades de moderadas a altas (6 a 12 RM ou com 60% a 70% de 1RM). Com intensidades altas, além do muscular, o tecido ósseo também é beneficiado, se adaptando ao aumento do músculo ganhando mais força e resistência, sendo importante principalmente para mulheres sobreviventes do câncer de mama na menopausa, em que a densidade óssea cai abaixo do normal. No entanto, as intensidades de exercício diferem no tratamento e pós-tratamento, devendo ser menores na primeira fase e, como citado anteriormente, respeitando sempre a individualidade de cada doença. Além disso, se o treinamento de força for combinado com exercícios aeróbios, a duração do exercício deve ser calculada considerando-se as duas modalidades, por exemplo: em um programa com duração de uma hora, serão 30 minutos para cada modalidade.
Referências:
NASCIMENTO, E.B.; LEITE, R.D.; PRESTES, J. Câncer: benefícios do treinamento de força e aeróbio. Revista da Educação Física/UEM. Maringá, v.22, n.4, p.651-658, 4.trim. 2011.
BATTAGLINI et al. Atividade física e níveis de fadiga em pacientes portadores de câncer. Rev. Bras. Med. Esporte – Vol.10, n.2 – Mar./Abr. 2004.
BRASIL. JANI CLERIA. Câncer e atividade física. 2014. Disponível em: >http://www.janicleria.com.br/oncologia/cancer-e-atividade-fisica/<. Acesso em: 05 dez. 2015.
NUNES et al. Mecanismos potenciais pelos quais o treinamento de força pode afetar a caquexia em pacientes com câncer. Revista Brasileira de Prescrição e Fisiologia do Exercício. São Paulo, v.1, n.1, p.1-17, Jan./Fev. 2007. ISSN 1981-9900.

PAULA, M.G.M; MORAIS, A.J.P; ORNELLAS, F.H. Treinamento de força e câncer de mama: uma visão sistemática. Revista Brasileira de Prescrição e Fisiologia do Exercício. São Paulo, v.6, n.32, p.164-171, Mar./Abril. 2012. ISSN 1981-9900.

6 comentários:

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  3. A recomendação de exercícios de força surge como aliada não só aos exercícios aeróbios,que são fundamentais ao seres humanos,mas em especial,aos portadores de câncer,que por se tratar de uma doença degenerativa e que geralmente submete os pacientes acometidos pela doença a tratamentos desgastantes,tanto pelo aspecto físico/biológico,como pelo aspecto emocional,quando se percebe uma significativa perda da auto estima,provocada por inúmeros fatores,incluindo a perda de massa muscular.
    Estudos sobre o tema proposto,sugerem que exercícios de força podem diminuir e ajudar na reversão dos efeitos da doença e no tratamento da mesma,quando os pacientes são submetidos a quimioterapia ou radioterapia,ou até mesmo após passarem por algum procedimento cirúrgico.A recomendação preferencialmente deverá ser feita por uma equipe multidisciplinar,com a presença de médico especialista,educador físico,nutricionista e fisioterapeuta.A manutenção da massa muscular,melhora na flexibilidade e coordenação motora,diminuição e resistência a fadiga estão entre alguns dos inúmeros benefícios que a prática desses exercícios trazem, aliada a uma melhora significativa na qualidade de vida,em virtude da elevação da autoestima e sensação de controle.Com o avanço dos estudos,também se contata uma redução da taxa de crescimento tumoral e inibição do aparecimento de metástases.Por fim,recomenda-se exercícios de moderadas a altas intensidades,porém levando em conta o tipo de câncer do paciente, o estágio da doença e o tipo de tratamento recomendado.

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  4. Além disso, indivíduos com câncer ao apresentar um estado atenuado da doença, estão submetidos a uma perda involuntária de peso, desencadeando uma instabilidade metabólica. A perda de tecido muscular é caracterizada como um fator determinante na mortalidade do portador. Esta também, ao apresentar-se de forma avançada, pode comprometer as funções cardíacas e respiratórias do indivíduo. A caquexia (estado debilitante em que ocorre perda de peso), por sua vez, acontece devido a alterações no metabolismo proteico pela ativação de hormônios (citocinas) e vias proteolíticas nas células musculares levando um aumento da degradação e diminuição da síntese proteica. Contudo, o treinamento de força, se apresenta como um mediador de efeitos positivos no tratamento da doença, onde esses efeitos são: ganho de massa muscular, diminuição da gordura corporal, da pressão arterial, aumento da sensibilidade a insulina, etc. Além disso, a progressão do treinamento de força vem se exprimindo como um recurso importante na recuperação e reabilitação do câncer de mama.

    GRUPO: Exercício Físico e Mal de Parkinson

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  5. A fase do tratamento do câncer (quimioterapia ou radioterapia) acaba trazendo como consequência efeitos contrários aos efeitos do treinamento. A radiação pode causar fibrose nos pulmões reduzindo a capacidade pulmonar; a quimioterapia leva a um quadro de anemia afetando o transporte de oxigênio, quadro que reduz o débito cardíaco e a quantidade de massa magra. Os pacientes também apresentam uma fadiga maior para realizar suas atividades diárias. O treinamento de força é uma estratégia de intervenção para manutenção e promoção da saúde, como também melhoria na qualidade de vida.
    Grupo: Barreiras da Atividade Física

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  6. Os portadores de câncer podem desenvolver caquexia, um estado de desnutrição profundo e progresso oriundo do hipercatabolismo proteico. A perda do tecido muscular é contribuidora para a mortalidade do câncer, assim, o trabalho de treinamento de força visa à diminuição da perda de tecido muscular, pois estão estimulando a síntese proteica e citosinas anti-inflamatórias.
    A citosina pró-inflamatoria, TNF-α, pode estar envolvida no aumento da proteólise, degradando o tecido muscular, pois há a inibição da expressão de MyoD, uma proteína que desempenha um papel importante na regulação da reparação muscular, consequentemente, regula a síntese proteica. Foi constatado que o treinamento de força diminui a quantidade de TNF-α, já que, essa citosina é oriunda do tecido adiposo e o exercício de força aumenta a lipólise, alem de provir os músculos esqueléticos com recurso energético, os ácidos graxos.
    O treinamento de força também acarretou um aumento das Células Natural Killer (CNK) que são células do sistema imunológico na resposta inata, mas uma revisão apontou que as CNK possui um papel na resposta adaptativa por apresentar memória. A importância das CNK se dar no reconhecimento de células infectadas por patógenos intracelulares ou tumorais, contendo a função é induzir a morte da célula alvo por apoptose (morte celular), por isso, as CNK são alvo de estudos no combate ao câncer.
    Os pacientes com câncer possuem alto índice de fadiga que resulta em uma diminuição significativa na capacidade funcional, levando-os a uma perda muito grande da saúde na qualidade de vida. Assim, o treinamento de força produz alterações metabólicas, sendo importante no tratamento e no processo de recuperação dos pacientes com câncer.
    O estímulo mecânico dado pelo treinamento de força provoca adaptações que resultam em aumento da área de secção transversa (hipertrofia) e alterações nas características contráteis das fibras musculares, provocando uma síntese proteica, alem de ativar mecanismo de proteção do músculo.
    Um treinamento de força diminui a fadiga, aumenta a resistência muscular, melhora os sistemas cardiovascular e pulmonar, melhorar a circulação linfática, regula a coordenação motora e equilíbrio, uma vez que, esse treinamento desenvolve adaptações motoras.
    Toda e qualquer atividade física deve ser acompanhada por especialistas (médico, fisioterapeuta e educador físico).

    Grupo: Atividade Fisica e Gasto Energetico

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