Analisando-se os estudos sobre os benefícios
do exercício físico sobre o câncer, percebe-se que a recomendação de exercícios
aeróbios se sobrepõe às recomendações de exercícios de força. Porém, estudos
têm demonstrado a grande importância destes últimos quando aplicados tanto
durante quanto após o tratamento do câncer, devido às observações dos efeitos
da doença no paciente e a melhora que o exercício resistido pode causar neles.
Assim, é possível afirmar que é de extrema importância que se combine os dois
tipos de exercícios, visando amplificação e maior duração dos benefícios.
O câncer
é uma doença degenerativa, e tanto a doença em si como o seu tratamento
(como quimioterapia, radioterapia e cirurgias) acarretam vários prejuízos ao
sistema biológico do seu portador, dentre elas podemos citar a presença de
fadiga, cansaço, dores, menor qualidade de vida em presença de medo e baixa
auto-estima, debilidade física, diminuição da capacidade aeróbia, diminuição da
força e da flexibilidade e perda de massa muscular, principalmente pelo aumento
do catabolismo proteico causado pelo câncer, em que o corpo dos indivíduos
utilizam aminoácidos para a gliconeogênese hepática por alterações dos
mecanismos de regulação de quebra das proteínas. Assim, diversos estudiosos
propõem que a prática de exercícios pode amenizar ou mesmo reverter esses
efeitos.
Dentre os benefícios do treinamento de força
aos pacientes com câncer, temos que: ele evita a perda de massa muscular bem
como a perda de força, proporcionando estímulos ao músculo e conseqüentes adaptações
evitando seu atrofiamento; melhora na capacidade funcional e no equilíbrio do
paciente, fatores comprometidos pela doença, bem como sua flexibilidade e
coordenação motora; aumento ou preservação da capacidade aeróbia pelas
adaptações cardiorrespiratórias proporcionadas pelo exercício, melhorando o
consumo de oxigênio e a circulação sanguínea; diminuição da fadiga e aumento da
resistência ela; melhora na composição corporal pelo aumento de massa magra e
diminuição de massa gorda dependendo do tipo de tratamento a que o paciente
está submetido; melhora na qualidade de vida, em que a melhora da capacidade
física proporciona a sensação de controle, independência, autoestima,
autoconfiança, redução da ansiedade e do medo (podendo ser causados por
questões hormonais influenciadas pelo exercício), melhora do humor, melhor
interação social, redução das dores e náuseas e maior vitalidade.
O exercício também pode proporcionar a inibição da tumorigênese (Baracos,
1989), resistência à implantação do tumor, diminuição da taxa de crescimento
tumoral, redução do aparecimento de metástases (Lee, 1995) e aumento da síntese
protéica muscular (Al-Majid; McCarthy, 2001b), que reduzem os riscos de retorno
da doença, além de melhora do sistema imunológico, tendo efeito tanto na
imunidade natural como na adquirida, em que em um experimento realizado por Kelm
et al. (2000) foram observados aumentos nas células NK (natural killer) em
pacientes com câncer submetidos a treinamento de força e aeróbio durante 13 semanas, com atividades duas vezes por
semana.
É importante que se saiba que estes
benefícios podem variar, dependendo do tipo de câncer do paciente, do estágio
da doença, do tipo de tratamento e também da intensidade, freqüência e duração
do programa de exercícios. Assim, é necessária a análise cuidadosa e profissional
do melhor tipo de treinamento a ser aplicado e a sua execução deve ser feita
com acompanhamento médico.
Battaglini et al. (2004) propõem que o
exercício com intensidade moderada já é suficiente para proporcionar as
melhoras musculares, já para De Backer et al. (2007), uma intensidade maior
traz melhores benefícios ao paciente.
O treinamento de força é mais eficaz com
intensidades de moderadas a altas (6 a 12 RM ou com 60% a 70% de 1RM). Com
intensidades altas, além do muscular, o tecido ósseo também é beneficiado, se
adaptando ao aumento do músculo ganhando mais força e resistência, sendo
importante principalmente para mulheres sobreviventes do câncer de mama na
menopausa, em que a densidade óssea cai abaixo do normal. No entanto, as
intensidades de exercício diferem no tratamento e pós-tratamento, devendo ser
menores na primeira fase e, como citado anteriormente, respeitando sempre a
individualidade de cada doença. Além disso, se o treinamento de força for
combinado com exercícios aeróbios, a duração do exercício deve ser calculada
considerando-se as duas modalidades, por exemplo: em um programa com duração de
uma hora, serão 30 minutos para cada modalidade.
Referências:
NASCIMENTO,
E.B.; LEITE, R.D.; PRESTES, J. Câncer:
benefícios do treinamento de força e aeróbio. Revista da Educação
Física/UEM. Maringá, v.22, n.4,
p.651-658, 4.trim. 2011.
BATTAGLINI
et al. Atividade física e níveis de
fadiga em pacientes portadores de câncer. Rev. Bras. Med. Esporte – Vol.10,
n.2 – Mar./Abr. 2004.
BRASIL. JANI CLERIA. Câncer
e atividade física. 2014. Disponível em: >http://www.janicleria.com.br/oncologia/cancer-e-atividade-fisica/<.
Acesso
em: 05 dez. 2015.
NUNES et al. Mecanismos
potenciais pelos quais o treinamento de força pode afetar a caquexia em
pacientes com câncer. Revista Brasileira de Prescrição e Fisiologia do
Exercício. São Paulo, v.1, n.1, p.1-17, Jan./Fev. 2007. ISSN 1981-9900.
PAULA, M.G.M; MORAIS, A.J.P; ORNELLAS, F.H. Treinamento de força e câncer de mama: uma
visão sistemática. Revista Brasileira de Prescrição e Fisiologia do
Exercício. São Paulo, v.6, n.32, p.164-171, Mar./Abril. 2012. ISSN 1981-9900.
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ResponderExcluirA recomendação de exercícios de força surge como aliada não só aos exercícios aeróbios,que são fundamentais ao seres humanos,mas em especial,aos portadores de câncer,que por se tratar de uma doença degenerativa e que geralmente submete os pacientes acometidos pela doença a tratamentos desgastantes,tanto pelo aspecto físico/biológico,como pelo aspecto emocional,quando se percebe uma significativa perda da auto estima,provocada por inúmeros fatores,incluindo a perda de massa muscular.
ResponderExcluirEstudos sobre o tema proposto,sugerem que exercícios de força podem diminuir e ajudar na reversão dos efeitos da doença e no tratamento da mesma,quando os pacientes são submetidos a quimioterapia ou radioterapia,ou até mesmo após passarem por algum procedimento cirúrgico.A recomendação preferencialmente deverá ser feita por uma equipe multidisciplinar,com a presença de médico especialista,educador físico,nutricionista e fisioterapeuta.A manutenção da massa muscular,melhora na flexibilidade e coordenação motora,diminuição e resistência a fadiga estão entre alguns dos inúmeros benefícios que a prática desses exercícios trazem, aliada a uma melhora significativa na qualidade de vida,em virtude da elevação da autoestima e sensação de controle.Com o avanço dos estudos,também se contata uma redução da taxa de crescimento tumoral e inibição do aparecimento de metástases.Por fim,recomenda-se exercícios de moderadas a altas intensidades,porém levando em conta o tipo de câncer do paciente, o estágio da doença e o tipo de tratamento recomendado.
Além disso, indivíduos com câncer ao apresentar um estado atenuado da doença, estão submetidos a uma perda involuntária de peso, desencadeando uma instabilidade metabólica. A perda de tecido muscular é caracterizada como um fator determinante na mortalidade do portador. Esta também, ao apresentar-se de forma avançada, pode comprometer as funções cardíacas e respiratórias do indivíduo. A caquexia (estado debilitante em que ocorre perda de peso), por sua vez, acontece devido a alterações no metabolismo proteico pela ativação de hormônios (citocinas) e vias proteolíticas nas células musculares levando um aumento da degradação e diminuição da síntese proteica. Contudo, o treinamento de força, se apresenta como um mediador de efeitos positivos no tratamento da doença, onde esses efeitos são: ganho de massa muscular, diminuição da gordura corporal, da pressão arterial, aumento da sensibilidade a insulina, etc. Além disso, a progressão do treinamento de força vem se exprimindo como um recurso importante na recuperação e reabilitação do câncer de mama.
ResponderExcluirGRUPO: Exercício Físico e Mal de Parkinson
A fase do tratamento do câncer (quimioterapia ou radioterapia) acaba trazendo como consequência efeitos contrários aos efeitos do treinamento. A radiação pode causar fibrose nos pulmões reduzindo a capacidade pulmonar; a quimioterapia leva a um quadro de anemia afetando o transporte de oxigênio, quadro que reduz o débito cardíaco e a quantidade de massa magra. Os pacientes também apresentam uma fadiga maior para realizar suas atividades diárias. O treinamento de força é uma estratégia de intervenção para manutenção e promoção da saúde, como também melhoria na qualidade de vida.
ResponderExcluirGrupo: Barreiras da Atividade Física
Os portadores de câncer podem desenvolver caquexia, um estado de desnutrição profundo e progresso oriundo do hipercatabolismo proteico. A perda do tecido muscular é contribuidora para a mortalidade do câncer, assim, o trabalho de treinamento de força visa à diminuição da perda de tecido muscular, pois estão estimulando a síntese proteica e citosinas anti-inflamatórias.
ResponderExcluirA citosina pró-inflamatoria, TNF-α, pode estar envolvida no aumento da proteólise, degradando o tecido muscular, pois há a inibição da expressão de MyoD, uma proteína que desempenha um papel importante na regulação da reparação muscular, consequentemente, regula a síntese proteica. Foi constatado que o treinamento de força diminui a quantidade de TNF-α, já que, essa citosina é oriunda do tecido adiposo e o exercício de força aumenta a lipólise, alem de provir os músculos esqueléticos com recurso energético, os ácidos graxos.
O treinamento de força também acarretou um aumento das Células Natural Killer (CNK) que são células do sistema imunológico na resposta inata, mas uma revisão apontou que as CNK possui um papel na resposta adaptativa por apresentar memória. A importância das CNK se dar no reconhecimento de células infectadas por patógenos intracelulares ou tumorais, contendo a função é induzir a morte da célula alvo por apoptose (morte celular), por isso, as CNK são alvo de estudos no combate ao câncer.
Os pacientes com câncer possuem alto índice de fadiga que resulta em uma diminuição significativa na capacidade funcional, levando-os a uma perda muito grande da saúde na qualidade de vida. Assim, o treinamento de força produz alterações metabólicas, sendo importante no tratamento e no processo de recuperação dos pacientes com câncer.
O estímulo mecânico dado pelo treinamento de força provoca adaptações que resultam em aumento da área de secção transversa (hipertrofia) e alterações nas características contráteis das fibras musculares, provocando uma síntese proteica, alem de ativar mecanismo de proteção do músculo.
Um treinamento de força diminui a fadiga, aumenta a resistência muscular, melhora os sistemas cardiovascular e pulmonar, melhorar a circulação linfática, regula a coordenação motora e equilíbrio, uma vez que, esse treinamento desenvolve adaptações motoras.
Toda e qualquer atividade física deve ser acompanhada por especialistas (médico, fisioterapeuta e educador físico).
Grupo: Atividade Fisica e Gasto Energetico